Passei meses em branco
Meses sem falar comigo mesma
Meses tentando não me ouvir
Passei meses em branco
Em branco, ninguém me ouviu
Em branco, fez-se o silêncio
Passei meses invisível
Passei meses indizíveis
Passei meses sem passar
Fiquei só a pensar
Inútil andar
Passei meses parada
Muda, calada
Branca madrugada
Silenciada
Passei meses amuada
Passei meses em branco
Sem sonho, sem conto
Passei...
em branco.
Pensamentos soltos + pitadas (ou palpitadas?) sobre cultura + poesias + punhado de histórias vividas ou não + contos e crônicas de uma ovelha negra bem colorida = salada bem temperada. Seja bem vindo e sirva-se à vontade!
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domingo, 24 de julho de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
Vou só

Cansei de te convidar:
Você não vem mesmo!
Não convido mais.
Logo eu, que gosto tanto de companhia.
Gostava tanto da sua...
Me eras tão agradável;
Éramos tão companheiros.
Coisa tão boa da vida andar junto,
Caminhar.
Não me entristeço.
Também não te espero mais vir.
Inspiro-me e vou.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
A Primeira Copa a Gente Nunca Esquece
A Primeira Copa a Gente Nunca Esquece OU A Melhor Companhia
Fiquei um pouco chateada ao me dar conta que veria o primeiro jogo do Brasil na Copa sozinha. Sozinha não, em ilustríssima companhia, a da minha filha. Mas confesso que não gostei de ter sido chutada pra escanteio pelo marido, que decidiu ver o jogo de estréia da seleção brasileira com os amigos do trabalho. Pra não cometer injustiça, digo que ele nos “convidou” a ir, na véspera, da seguinte forma: “tem gente que vai levar a família, mas é complicado pra você chegar lá com a Bruna, o metrô vai estar cheio, é tumultuado, muito longe”. Bem nítido que colocou todos os empecilhos para nos desestimular a fazer qualquer movimento naquela direção. Ok. Dormimos, mas acordei com aquele sentimento de solidão que bate nestas horas em que todo mundo se junta com alguém em algum lugar pra ver o Brasil entrar em campo e você se dá conta de que deve ser o único brasileiro que não tem pra onde ir. Logo eu, super festeira, animada pra bagunça, não ia ter com quem compartilhar, afinal, ainda não tenho amizades de trabalho tão íntimas por aqui e a família está distante (tenho um casal de primos aqui, mas eles têm os compromissos deles, a turma deles; além de morarmos bem distantes).
Mas ao acordar, decidi então que teria um ótimo dia com a filhota e que aproveitaria a parada do país para ficar com a Bruna. Avisei na creche que nem ia levá-la, deixei-a dormir até a hora que quis e, enquanto isso, trabalhei um pouquinho. Brincamos na cama quando ela acordou, a farra começou. Tomamos café da manhã e banho juntas. Pusemos muitas roupas para aplacar o frio de SP e fomos à rua pegar um solzinho. Ela brincou na área de lazer aqui perto e depois foi comigo ao mercado. Voltamos para almoçar e enquanto ela via desenhos, eu consegui trocar mais alguns e-mails, resolver uma coisa ou outra pelo computador. Alguns minutos antes do jogo começar, eu já estava ensaiando com ela. Fizemos muito barulho, batendo pás e panelinhas, baldes, todos os brinquedos dela que podiam virar percussão, gritando “Brasil! Brasil!” E muitos gritos de “goooolll!!!” Bruna entrou no clima e estava animada com a agitação provocada por mim. Achou tudo muito divertido. Ria, dançava e pulava. O jogo começou e continuamos a fazer nosso barulho e farra. Depois de uns minutos de apreensão e tédio com o jogo ruim e sem gols, Bruna resolveu a questão: foi no quarto apanhar a sua bola e começamos nós duas a jogar, quase como se ela dissesse “ah, esse jogo aí tá ruim, vamos fazer o nosso que é melhor”. No intervalo preparei pra ela um suco de laranja natural e pipoca pra nós duas. Como continuamos a farra com a bola, acabamos fazendo um golaço antes do Brasil: acertamos o balde de pipocas e fizemos uma lambança fenomenal na sala! Saíram os gols e a Bruna resolveu imitar o barulho das buzinas que ouvimos daqui. “Bi bi fón fón” Nos últimos minutos, estávamos já cansadas da farra, assistindo ao jogo deitadas no sofá, agarradinhas. Depois do jogo eu arrumei a bagunça enquanto ela dormia e fiquei pensando o quanto foi divertido e gostoso ficar sozinha com ela pra ver o jogo. Tem melhor companhia no mundo?
Quando o pai chegou, ela deu logo os “instrumentos de percussão” pra mostrar a ele como torcer e mostrou como gritar “gol” e “Brasil” com as mãos pra cima. Ao final do nosso dia, no meu momento de oração (sim eu faço isso!), me senti grata. Ao mesmo tempo em que eu sofro com a falta de independência e me incomodo muito com a lentidão natural que se leva para se sair dessa situação, de forma empreendedora, tendo que reconstruir uma carreira após dois anos fora do mercado e chegando num mercado de trabalho novo, ainda por cima sem nenhum apoio ou suporte; eu me sinto muito feliz de poder ter as rédeas dos meus horários e poder tirar um dia para pular, cantar, gritar, fazer bagunça e torcer pro Brasil com a minha filha.
Eu não sei se ela vai lembrar da sua primeira Copa do Mundo quando crescer, afinal é ainda muito pequena (2 aninhos recém-completados), mas eu não vou esquecer jamais da Primeira Copa do Mundo com a Bruna.
Fiquei um pouco chateada ao me dar conta que veria o primeiro jogo do Brasil na Copa sozinha. Sozinha não, em ilustríssima companhia, a da minha filha. Mas confesso que não gostei de ter sido chutada pra escanteio pelo marido, que decidiu ver o jogo de estréia da seleção brasileira com os amigos do trabalho. Pra não cometer injustiça, digo que ele nos “convidou” a ir, na véspera, da seguinte forma: “tem gente que vai levar a família, mas é complicado pra você chegar lá com a Bruna, o metrô vai estar cheio, é tumultuado, muito longe”. Bem nítido que colocou todos os empecilhos para nos desestimular a fazer qualquer movimento naquela direção. Ok. Dormimos, mas acordei com aquele sentimento de solidão que bate nestas horas em que todo mundo se junta com alguém em algum lugar pra ver o Brasil entrar em campo e você se dá conta de que deve ser o único brasileiro que não tem pra onde ir. Logo eu, super festeira, animada pra bagunça, não ia ter com quem compartilhar, afinal, ainda não tenho amizades de trabalho tão íntimas por aqui e a família está distante (tenho um casal de primos aqui, mas eles têm os compromissos deles, a turma deles; além de morarmos bem distantes).
Mas ao acordar, decidi então que teria um ótimo dia com a filhota e que aproveitaria a parada do país para ficar com a Bruna. Avisei na creche que nem ia levá-la, deixei-a dormir até a hora que quis e, enquanto isso, trabalhei um pouquinho. Brincamos na cama quando ela acordou, a farra começou. Tomamos café da manhã e banho juntas. Pusemos muitas roupas para aplacar o frio de SP e fomos à rua pegar um solzinho. Ela brincou na área de lazer aqui perto e depois foi comigo ao mercado. Voltamos para almoçar e enquanto ela via desenhos, eu consegui trocar mais alguns e-mails, resolver uma coisa ou outra pelo computador. Alguns minutos antes do jogo começar, eu já estava ensaiando com ela. Fizemos muito barulho, batendo pás e panelinhas, baldes, todos os brinquedos dela que podiam virar percussão, gritando “Brasil! Brasil!” E muitos gritos de “goooolll!!!” Bruna entrou no clima e estava animada com a agitação provocada por mim. Achou tudo muito divertido. Ria, dançava e pulava. O jogo começou e continuamos a fazer nosso barulho e farra. Depois de uns minutos de apreensão e tédio com o jogo ruim e sem gols, Bruna resolveu a questão: foi no quarto apanhar a sua bola e começamos nós duas a jogar, quase como se ela dissesse “ah, esse jogo aí tá ruim, vamos fazer o nosso que é melhor”. No intervalo preparei pra ela um suco de laranja natural e pipoca pra nós duas. Como continuamos a farra com a bola, acabamos fazendo um golaço antes do Brasil: acertamos o balde de pipocas e fizemos uma lambança fenomenal na sala! Saíram os gols e a Bruna resolveu imitar o barulho das buzinas que ouvimos daqui. “Bi bi fón fón” Nos últimos minutos, estávamos já cansadas da farra, assistindo ao jogo deitadas no sofá, agarradinhas. Depois do jogo eu arrumei a bagunça enquanto ela dormia e fiquei pensando o quanto foi divertido e gostoso ficar sozinha com ela pra ver o jogo. Tem melhor companhia no mundo?
Quando o pai chegou, ela deu logo os “instrumentos de percussão” pra mostrar a ele como torcer e mostrou como gritar “gol” e “Brasil” com as mãos pra cima. Ao final do nosso dia, no meu momento de oração (sim eu faço isso!), me senti grata. Ao mesmo tempo em que eu sofro com a falta de independência e me incomodo muito com a lentidão natural que se leva para se sair dessa situação, de forma empreendedora, tendo que reconstruir uma carreira após dois anos fora do mercado e chegando num mercado de trabalho novo, ainda por cima sem nenhum apoio ou suporte; eu me sinto muito feliz de poder ter as rédeas dos meus horários e poder tirar um dia para pular, cantar, gritar, fazer bagunça e torcer pro Brasil com a minha filha.
Eu não sei se ela vai lembrar da sua primeira Copa do Mundo quando crescer, afinal é ainda muito pequena (2 aninhos recém-completados), mas eu não vou esquecer jamais da Primeira Copa do Mundo com a Bruna.
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sábado, 15 de maio de 2010
Cebolas e afetos
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Com graça enfeito
A comida daquele
com quem me deito
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Temperos
Pequenas porções como forma
De afetos
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Rotina
O desafio diário de agradar
Que não me anima
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Suor
E força nos pés
Que me movem para longe da solidão
Tenho cheiro de cebola nas mãos
E um tédio
Tedioso desejo diário
De não tê-lo
Tenho cheiro de cebola nas mãos
E um gosto azedo na garganta
Um engasgo reprimido
Talvez devesse ter dado o grito
Tenho cheiro de cebola nas mãos
E uma vontade a me esperar
Tenha cuidado
Posso lhe devorar
Com graça enfeito
A comida daquele
com quem me deito
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Temperos
Pequenas porções como forma
De afetos
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Rotina
O desafio diário de agradar
Que não me anima
Tenho cheiro de cebola nas mãos
Suor
E força nos pés
Que me movem para longe da solidão
Tenho cheiro de cebola nas mãos
E um tédio
Tedioso desejo diário
De não tê-lo
Tenho cheiro de cebola nas mãos
E um gosto azedo na garganta
Um engasgo reprimido
Talvez devesse ter dado o grito
Tenho cheiro de cebola nas mãos
E uma vontade a me esperar
Tenha cuidado
Posso lhe devorar
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Sótão tão só
Sótão tão só
A solidão de estar
Espaço vazio
Tão só
Com uivos do vento
A servir de música
Decoração de poeira
O sótão misterioso
Silencioso e vazio
Preenchido de espaço
E fantasias
Sótão tão só
Incomunicável
Inacabado
Desenhado para ser separado
Tão distante e logo aqui
Inacessível como quem o possui
Sótão tão só
Trancado
Fechado
Oculto
Meu ser tão só
Tão meu
Só meu
Meu sótão
Tão só
Escrito no Rio de Janeiro, em 21/04/2010
A solidão de estar
Espaço vazio
Tão só
Com uivos do vento
A servir de música
Decoração de poeira
O sótão misterioso
Silencioso e vazio
Preenchido de espaço
E fantasias
Sótão tão só
Incomunicável
Inacabado
Desenhado para ser separado
Tão distante e logo aqui
Inacessível como quem o possui
Sótão tão só
Trancado
Fechado
Oculto
Meu ser tão só
Tão meu
Só meu
Meu sótão
Tão só
Escrito no Rio de Janeiro, em 21/04/2010
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