segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feliz aniversário, São Paulo!


Essa é para os paulistas...

São Paulo amanheceu com discreto sol, em seu aniversário de 456 anos. Típico seria amanhecer nublada, cinza, garoando. Mas hoje não, é dia de festa, então vamos supor que até São Pedro quis uma Sampa mais iluminada, mais radiante.

A cidade que diz em seu lema, escrito em seu brasão, que "não é conduzida, conduz", de fato, é a cidade que conduz todo o país. Dependendo do ponto de vista, pode-se ler este lema com muita antipatia - ele soa arrogante. Confesso que quando descobri esta informação, me assustei. Mas além de ver razão e coerência na frase, é possível também enxergá-la como o desejo de um povo de não se deixar abater, escravizar, parar no tempo. O desejo de ir adiante, de estar na frente. Isso é bacana.

O paulistano é bem condutor mesmo. Tão APARENTEMENTE antipático quanto a frase, é, na verdade, um povo bem miscigenado que ainda não aprendeu direito a conviver com tanta mistura mas que dá exemplo de garra e força de trabalho. O paulistano é ambicioso. E o paulistano cobra seus direitos, cobra seus governantes, bem mais do que vi em outras partes do país. Não sei se foram tantos anos de malufismo que fizeram com que os paulistanos aprendessem a gritar, mas o fato é que hoje, paulistas em geral cobram mais empenho de seus líderes.

Tomara que conduzam nosso país como exemplo. Exemplo dessa cobrança e exemplo de um Brasil que dá certo, que avança, que é organizado. Exemplo de um povo que sofre (ainda com enchentes, violência, etc) mas segue em frente liderando; exemplo de um povo que empreende, briga, ambiciona, se impõe metas e as atinge.

Parabéns a todo o povo que bravamente construiu e faz desta cidade o verdadeiro coração do Brasil. Talvez não o coração no sentido emocional (São Paulo é fria: pelo clima, pelo excesso de cimento, pela geografia...), mas o coração no sentido daquele que bombeia e distribui o "sangue" por todo o corpo/país.

Feliz aniversário São Paulo!!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Deus, deuses e anjos...

Lendo matéria na Folha de SP (Ilustrada) hoje, me deparei com duas frases que me tocaram muito, boas para reflexão numa manhã de sábado:

"Toda folha de grama tem seu anjo que se curva sobre ela e diz: 'cresce, cresce'." (do Talmude, livro sagrado do judaísmo)
e
"Deus não tem mãos, só as suas". (da igreja afro-americana),

ambas citadas por Saphire, escritora, na matéria sobre o filme sobre sua obra que é candidato ao Oscar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Confiança



9 meses na barriga
9 meses de convívio
9 meses de aprendizado mútuo

Bruna entrou numa fase muito gostosa, agora que faz descobertas constantes. Todo dia é uma grande aventura pra ela! Acho até que, por isso, anda mais cansada e tem dormido mais cedo que o de costume, exausta de tantas novidades.

Fico admirada de sua evolução, claro, mas outra coisa me chamou a atenção nesses dias: impressiona o quanto os bebês CONFIAM em seus pais, mais especialmente nas mães (por razões umbilicais, claro!). É tão curioso... Mesmo quando digo “não” para ela, por várias vezes, percebo que ela já estava esperando aquele não. Ela já sabia que era algo proibido, mas precisava da confirmação, do limite. E a carinha que ela faz, me olhando de canto de olho, como quem diz “esse não pode, né?”, e esperando que eu diga alguma coisa, é a face mais linda do mundo!

Mas nos momentos positivos isto fica ainda mais forte, acho eu. Nas horas em que ela precisa de uma ajudinha para completar uma façanha. Por exemplo: interessadíssima em andar, seu mais importante e constante desafio atualmente, ela sempre “se joga” e encara os maiores desafios se eu estiver ao alcance de uma mão esticada. É curioso observar movimentos que ela tenta sozinha e o quanto ela fica mais corajosa se eu estiver ao alcance da mãozinha dela. Foi então que eu percebi esta coisa da confiança. Ela sabe que não vamos deixar ela se machucar, ela sabe que se esticamos a mão para ela é porque dá par ir, ela pode tentar aquele movimento. E então ela vai. Sorrindo, confiante.

Deve ser das coisas mais simples ou óbvias da maternidade, mas quando a gente tem tempo de se dar conta das coisas simples é que a gente curte a vida, não é? Mas nem escrevendo um testamento eu conseguiria descrever o que é aquele olhar de “posso ir”, a mãozinha esticada e o sorriso depois da conquista feita. Explicar este sentimento de confiança dela e de orgulho nosso. Só sentindo pra saber.

E por que eu disse que com mãe é diferente? Simples: mesmo quando eu a impeço de fazer alguma coisa que ela quer muito – e no caso da Bruna isto significa que ela vai ficar bem brava – é só comigo que ela quer consolo. Ou seja, ela está furiosa comigo, mas é só o meu colo, meu carinho e minha justificativa que ela quer. Se ficar brava com outra pessoa, ela quer a mim também. E quando está zangada comigo, parece que me quer com urgência ainda maior. É como se ela soubesse – e sabe - que aquele “não” é importante, necessário. Mas fica chateadíssima, claro, não entende bem por que. Ela quer tanto... Então reage: se joga pra trás, grita com o máximo de decibéis, chora com lágrimas. Mas não tem Cristo que a ajude a ficar mais calma: só mãe. Mesmo que seja eu a chata, mala sem alça, que motivou tanta ‘infelicidade’ e ‘sofrimento’ (ainda bem que passageiros, não?!). Bruna tem uma veia dramática boa, esses momentos de zanga chegam a ser engraçados, tamanho o escarcéu que ela faz. Mas ela briga e ao mesmo tempo pede meu beijinho, meu abraço. Aí se acalma, mesmo que continue sem entender o porquê (e mesmo que vá tentar de novo...), mas parece saber que era necessário, importante. Passou! Sorriso no rosto de novo, olho no olho comigo, e parece que o mundo está em seu lugar. Ainda que Caetano diga sabiamente que “alguma coisa está fora da ordem” lá fora. Aqui dentro do nosso planetinha, basta que estejamos ao alcance dos olhos, para dizer “sim” ou “não” silenciosamente, para que esteja tudo bem pra ela. Seguro, confiável e feliz.

Falando deste microuniverso assim, parece um certo egoísmo nosso ou um pouco de alienação, mas o fato é que quando há um bebê em casa, podemos encaixar bem uns versos de outro cantor e compositor maravilhoso, o Cazuza, na sua música “minha flor, meu bebê”: “que prazer mais egoísta o de cuidar de um outro ser, mesmo se dando mais do que se tem pra receber. E é por isso que eu te chamo minha flor, meu bebê”.

Sei lá, gente, estava só pensando... Tudo por causa daquela carinha que ela me fez, tão confiante. :-)

(Escrito em Belém, em 28/02/2009)

Salve São Sebastião!


Essa é para os cariocas!

Oração a São Sebastião
São Sebastião, Glorioso Mártir de Jesus Cristo e poderoso advogado contra a peste, as calamidades e contra todos os meus inimigos visíveis e invisíveis, defendei-me, pois, de todos os perigos da alma e do corpo, bem como da inveja, do ódio, da intriga e de todos os males. Enfim, para que servindo a Jesus Cristo eu possa viver em paz, na Graça de Deus, e que um dia eu alcance também a glória de poder contemplar a tua alegria na corte celestial. Amém.

Feriado

Hoje é feriado e eu, como a maioria das mulheres, acordei cedo (não estou contabilizando as duas vezes que acordei de madrugada para amamentar). Lavei louça, preparei umas coisas no computador pro aniversário da milha filha, fiz comida – duas: uma para a bebê e outra pra nós. Lavei louça de novo depois do almoço, claro. Lavei roupa, porque roupa de bebê suja de comidinha não dá pra esperar até a volta da empregada. Com amor e carinho sinceros, brinquei com minha filha, dei atenção a ela. Dei banho, troquei fraldas: xixi, cocô, xixi, xixi de novo... Dei comida fazendo muita brincadeira, pra ver se ela comia melhor. Deixei coisas preparadas para o almoço do dia seguinte, fiz a lista para o marido ir ao mercado, brinquei mais com a filha, arrumei-a para sair conosco à noite, a convite da amiguinha dela. Depois colocar pra dormir (mais fralda, pijaminha, amamentar, cantar, colocar no berço, cobrir). Ufa!

Nenhuma mulher consegue ter um dia de feriado ficando em casa. Especialmente as casadas, com filhos. Se você mora sozinha, ainda pode adiar umas tarefas, tirar o dia. Mas vai acabar fazendo algum trabalho doméstico em algum momento, não tem jeito. Mas se você tem marido e filhos, dançou. Não dá para adiar: eles têm fome, sede, fazem sujeira. E é difícil precisar qual dos dois – marido ou filho – precisa mais de você.

Mas vocês devem estar pensando “lá vem um texto feminista, pra defender os direitos iguais das mulheres”. Direitos iguais eu acho mesmo que devemos ter, mas não é bem isso o que eu estava pensando. Sim, porque eu estava lavando louça e refletindo (lavar louça serve pra alguma coisa além de mantê-la limpa): porque a gente reclama tanto? Não que eu vá defender a mulher estilo “Amélia”, que fica em casa fazendo estas coisas todas, todo dia, sem reclamar ou, pior, sem ter maiores ambições. Não faria esta defesa! Mas por outro lado, me questionei se essa tal emancipação feminina não nos deixou mais infelizes, em parte. Porque toda vez que temos que fazer uma tarefa doméstica, pensamos alguns palavrões e sentimos uma ponta de inveja das amigas solteiras? Lá vou eu ressuscitar minhas avós, de novo: elas faziam tudo isso e muito mais e não me pareciam frustradas ou raivosas ao ter que cuidar da casa, do marido e do monte de filhos que tinham sozinhas. Sem empregadas e, naquela época, os maridos não ajudavam em nada mesmo, hoje eles já fazem uma coisa ou outra de vez em quando. Nem que seja quando você pedir. Naquela época a mulher não pedia ao marido para lavar uma louça e nem reclamava se ele entrasse em casa bagunçando e sujando tudo. Tampouco exigia que ele arrumasse seu próprio armário, imagine!

Acabou que as mulheres foram à luta ganhar dinheiro, passaram a dividir as responsabilidades que eram exclusividade DELES e não souberam repartir com eles as responsabilidades atribuídas a nós, “sexo frágil”. Acumulamos tudo, centralizamos tudo. Uma geração adiante, encontramos um monte de mulheres se divorciando, indo parar no analista ou se desdobrando em mil: a tal mulher de revista que é mãe, esposa, profissional, filha, etc. e que infarta mais nova – porque tem que ser boa em tudo isso – , vive estressada e por mais que mantenha um sorriso no rosto, acaba se pegando de vez em quando xingando até a milésima geração porque está com a barriga no tanque ou pia.

Eu só tenho perguntas, se tivesse as respostas, enriquecia: até que ponto ficamos mais “azedas” porque almejamos um padrão que nos distancia da nossa verdadeira essência, que é cuidar? A mulher tem vocação natural mesmo para cuidar, organizar. Não é à toa que só nós somos capazes de parir. Mas aquele padrão capa de revista fica lá martelando a gente quando temos que fazer uma simples tarefa doméstica: a bem sucedida, gostosa, rica, elegante, não nasceu para estragar as unhas lavando a louça.

Agora, para mudar, eu não tenho dúvidas de que cabe a nós, mulheres, a responsabilidade. Direitos iguais entre os gêneros só existirão quando as mães passarem a educar seus filhos homens para a vida, ou melhor, para serem bons maridos. Isto implica em ensinar a eles desde cedo a guardar seus próprios brinquedos, lavar suas próprias cuecas, ajudar nas tarefas da casa (lavar louça, inclusive) e sempre, sempre, deixá-los chorar. Porque homem que é homem chora. Acho que se todas as mães de meninos forem mudando a forma de educar seus bebezões, daqui a algumas gerações poderemos pensar em direitos iguais entre os sexos. Mas eu estava só lavando a louça no feriadão...

(Escrito em Belém, em Maio de 2009)