quinta-feira, 15 de abril de 2010

Indo, voltando, fazendo, desfazendo e encontrando o mesmo ponto ou porto


As idas e vindas
De uma vida que não nos pertence
São muitas
As amizades se vão e vêm
As mesmas, outras
São partes de nossa história
Marcam épocas, mudam
nossas perspectivas, nossas vidas
Transformam nosso pensar
Nos formam e reformam
São encontros e reencontros
Gratas surpresas
E desencontros
Que partilham nosso destino
Alteram o caminho e
Acompanham

Gentilezas e delicadezas
Costuram novas promessas
de interromper a rotina
E exercitar o partilhar
Um pouco do que somos e sonhamos
Para colorir e alegrar,
Encantar.
Provocar também, porquê não?
E retomar os carinhos
Porque os amigos
Estão aqui dentro.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A corrupção começa em casa e por pouco, muito pouco.



Pais responsáveis que somos, fomos dar a vacina contra a gripe h1n1 na Bruna semana passada, aqui no Instituto Pasteur, na Av. Paulista. Nos deparamos com uma pequena fila, umas três crianças na nossa frente e uma jovem, de uns 20 anos, aproximadamente. Nem estranhei o fato dela estar na fila, embora não fosse a sua faixa etária a da vez na convocação. Ela poderia estar grávida... Mas foi a própria quem se apressou a contar sua história: ela estava ali guardando lugar para sua mãe, com a perna quebrada, sentada num banco próximo. Até aí, continuei sem desconfiar de nada, afinal, a mãe dela, embora não estivesse na faixa etária convocada a se vacinar naquele período, poderia ter alguma doença crônica, o que a tornaria imediatamente uma candidata ao medicamento em qualquer época. Mas como diz o meu pai, “peixe morre pela boca”: a menina continuou a falar... E disse - talvez contente de poder se gabar de sua “esperteza” - que havia tomado a vacina no dia anterior, alegando ter uma doença crônica, que deixou claro não ter. Não bastasse ela ter sido desonesta, deu a idéia para sua mãe, que estava ali então, seguindo o “belo exemplo” da filha. Ou seja, não só a mãe não a repreendeu, como ainda seguiu o mau exemplo.

“Que país é este?” diria Renato Russo acertadamente. Quem são estas pessoas que querem tirar vantagem de TUDO? Mesmo tendo um calendário de vacinação e não tardando a chegar a vez daquela jovem (esta semana começa a vacinação para pessoas da idade dela), ela tinha que burlar e tomar primeiro. E olha que a vacina é injetável e tem gente à bessa reclamando de dor... Mas existe o ditado que diz que “de graça, até injeção na testa”. Pelo visto, é fato.

Mas a conversa piorou, acreditem. A jovem estava também acompanhada de seu pai. Este já tinha tomado a vacina, mas disse ser diabético “de verdade”. Só que ao invés de recriminar as duas mocréias desonestas que tem em casa, ele as incentivou a mentir para se adiantarem ao calendário e mais: resolveram os dois, pai e filha, começar uma campanha para que eu e meu marido “aproveitássemos” que já estávamos ali para também mentirmos, dizendo que tínhamos alguma doença crônica e assim poderíamos tomar “logo” a vacina. Detalhe: em maio nossa faixa etária estará contemplada. Mas impressionava vê-los nos dando argumentos, nos mostrando como era “fácil” burlar. Ainda me disse a garota: “ninguém pergunta nada, elas nem conferem nada. É só você dizer que tem alguma coisa”.

Obviamente, melhor do que qualquer resposta que tenhamos dado, o nosso comportamento os fez calar, pois obviamente só demos a vacina na Bruna e fomos embora sem inventar nenhuma doença. (embora estivessem imediatamente à nossa frente na fila, no local estavam sendo atendidos dois por vez, por isso fomos atendidos ao mesmo tempo, o que garante que eles viram como nos portamos)

É bem provável que ainda tenham nos julgado como otários, os espertos. Eu seguirei como otária pela vida afora, com o maior orgulho, no que depender de ter atitudes como as daquela família. E são pequenos gestos como estes que dizem muito, dizem tudo, sobre o caráter de uma pessoa. E sobre o comportamento de um país. São pessoas que se corrompem por tão pouco que depois votam por um saco de cimento e no final ainda reclamam dos políticos. São aquelas pessoas que reclamam das enchentes, mas que jogam seu lixo na rua. Para estas pessoas, a responsabilidade de ser honesto, de ser correto, de fazer a sua parte, é do outro e não dela. E digo isso porque as pessoas em geral acham que se o delito é “pequeno”, se é por uma coisa aparentemente “menor”, ele não tem importância. O que não se dão conta, é de que não existe menor ou maior, pequeno ou grande quando se trata de honestidade. Por isso aquele pai não repreendeu a filha e a mãe também não se preocupou em ser exemplo de coisa nenhuma! Esquecem, no entanto, que “o hábito do cachimbo faz a boca torta” (hoje estou afeita a ditados!). São pequenos e constantes delitos que formam o mau caráter que é capaz de fazer um prédio com areia da praia mesmo sabendo que ele corre o risco de cair matando centenas de pessoas...

Agora pensa comigo: golpe para tomar vacina?!!! Me parece demais, não?!!! Caramba! Eu estou em outro planeta ou o que eu acabei de relatar também impressiona você? Pois falando séria e honestamente: a mim, horroriza que as pessoas tenham chegado a este ponto!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Querer

Eu quero mais!
Mais, muito mais!
Quero tudo de tudo;
Quero mais de tudo
E mais do mesmo.
Eu quero
Até o que eu não sei.
O que eu não vi
E não provei.
Mas eu quero!
Estou sedenta
e gulosa.
Quero ar e água,
sol e lua,
fogo e mar.
Quero terra também
Onde possa pisar
Para caminhar
até onde tudo alcançar.

domingo, 28 de março de 2010

Eu tenho preço

Quer me comer?
Tem que pagar.
Não em espécie, moeda.
Mas precisa me fazer sonhar.
Precisa me valorizar
Me despertar
Me desejar
Me amar.
Quer me comer?
Tem que pagar.
O preço é baixo
É só me acompanhar
Me fazer fantasiar
Me encontrar
Me fazer gargalhar
Me elogiar.
Até pode presentear...
Sim, eu "aceito uma prenda,
qualquer coisa assim,
como uma pedra falsa,
um sonho de valsa
ou um corte de cetim"
Mas tem que pagar
Pra me amar.
Então, vai almoçar?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Devolve a minha mãe!


Assistam no link ao final deste desabafo a cena que gerou um incômodo no meu peito por três longos dias... Se eu já me comovia com cenas que envolvem crianças antes de ser mãe, imaginem agora. Eu me revolto!!

A hipocrisia da nossa sociedade é muito grande e a justiça é muito pequena. Aquilo não é justiça! A criança estava evidentemente bem cuidada. Criança saudável, limpa, arrumadinha e DESESPERADA por estar sendo separada da mãe. Quer sinal mais evidente de que esta mãe não é uma monstra?

Pra mim, o único motivo no mundo justifica separação de mãe e filha é maus tratos. Se houvesse relato de que essa mãe batia ou maltratava esta criança, aí sim eu vejo motivo para se expedir um mandato, que, ainda assim, não deveria ser cumprido daquela FORMA. Nem mesmo neste caso uma criança poderia ser separada da mãe de maneira tão violenta! Pelo bem da saúde mental, psíquica deste bebê (vale lembrar que a menina tem 1 ano e 2 meses).

Se esta mãe usa a criança como apelo para pedir esmola, o que dizer das mães que exploram seus filhos, muitas vezes expondo a pressões psicológicas absurdas, em concursos de beleza, de miss, ou em competições para a criança trabalhar na TV? Estas também serão separadas das mães? Tudo neste país é uma questão de poder aquisitivo, por isso eu digo que somos hipócritas. Estas mães que atropelam a infância de seus filhos e filhas para ganhar dinheiro e status e realizar suas frustrações através delas, não têm a sua maternidade questionada e não são chamadas de exploradoras porque estão em outro “nível” da sociedade.

A outra, como é cigana, teve a filha arrancada de seus braços. Repito: se esta criança não sofre maus-tratos, está bem cuidada, limpa, sem fome e não tem a sua vida e saúde (física e mental, psicológica) colocada em risco, ela não pode ser separada da mãe. Maior trauma e danos psicológicos causaram a esta criança nesta ação medíocre da “justiça” brasileira.

A ação é tão mal planejada e absurda que ainda levam a criança no carro no banco da frente! É a própria justiça (ali representada pela polícia) burlando as leis e, neste momento, expondo a criança a riscos de vida!!!

Não acho que devemos julgar esta mulher como mãe, nem boa nem ruim, simplesmente porque não temos capacidade para isto e tampouco elementos concretos. O fato dela ser andarilha, cigana, pedinte, não a caracteriza como uma mãe melhor ou pior que nenhuma outra. Pra mim, a solução é simples e o choro de desespero daquela criança ao ser separada de sua mãe já diz muito: se a criança está bem tratada (isso inclui CARINHO E AMOR acima do fato de se ter um teto ou não; um “lugar seguro” para ela dormir – afinal, onde estamos SEGUROS neste país?! Nas nossas jaulas cheias de grades que chamamos de apartamentos?); enfim, se a criança tem o carinho de sua mãe e é bem cuidada, não há porque retirar a guarda desta mãe.

Pelo bem DA CRIANÇA que é uma inocente, não pode dizer qual seria a sua escolha e parece não estar sendo considerada nesta ação. O uso da força, neste caso, só reforça que o poder está ao lado só de quem tem grana neste país. Pudessem estes pais pagar um advogado e esta criança não passaria nenhum dia num abrigo...
Acho que se aquela criança pudesse falar, ela gritaria bem alto: “moço, devolve a minha mãe!”. Cheia de razão, coisa que falta aos adultos desta nossa hipócrita sociedade.

OBS: soube hoje pelo mesmo jornal (que confesso estar assistindo diariamente só para acompanhar o caso) que a criança foi devolvida à mãe. Passaram 4 dias separadas. Com um agravante, que a imagem mostrada no jornal hoje revelou: este bebê é lactante, ou seja, ainda amamenta em sua mãe! Isto torna esta separação ainda mais sofrida. Eu diria criminosa. E querem saber por que eu repeti tantas vezes a palavra hipócrita no meu texto? Adivinhem só quem foi o juiz que devolveu a filha à mãe? O mesmo que as separou! Certamente, assustado ou mobilizado pela repercussão pública que o caso tomou. CRETINO!!!

Eis o link para a matéria com a cena chocante:
http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1533383-16022,00-CRIANCA+E+ARRANCADA+DA+MAE+EM+JUNDIAI.html

OBS 2: Ah, eu rezei. Rezei mesmo pra que esta criança fosse devolvida à sua mãe...