quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tomei coragem



Escrever é se expor.
Escrever é se separar...
Escrever é um exercício de pensamento.

O que se escreve fica gravado, o que não significa que as opiniões sejam estáticas como letras impressas. Elas mudam.
Aí temos que escrever de novo. Reescrever.
Repensar. Se expor de novo.

E lá vou eu nessa aventura!

Mistura de antigo desejo e medo, excitação alegre de quem estréia e ansiedade séria de debater.

Aqui eu brinco, desabafo, vomito sentimentos.

Cultura e Mercado é um trabalho sério e respeitado, há mais de 12 anos no ar. Responsabilidade...

Está lá no site Cultura e Mercado, publicado pela primeira vez, um texto meu. Pensando o financiamento à cultura brasileiro a partir de uma provocação de um antigo texto, do mesmo site. Confiram e opinem.

Aguardo vocês por lá (e por aqui também).
Bééééé de ovelha, bjs de Dani.

Link direto pro meu texto:
http://www.culturaemercado.com.br/ideias/a-arte-e-o-mecenato-brasileiro/

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cena vivida

Um dia corrido o de ontem e o metrô estava bem cheio embora ainda fosse meio de tarde em São Paulo.
Um grito estranho - mais parecia um grunhido muito alto - dentro do vagão e correria. Abre-se uma clareira improvável dentro do vagão e, nela, um homem estendido no chão, muito vermelho, se debate. Era um homem enorme. Ao contrário do instinto da maioria das pessoas ali presente, fui em sua direção e gritei "convulsão" para que as pessoas parassem de correr com medo e se aproximassem para também ajudar. Mas não fiz muito mais que isso também, sem saber como agir. Pensei na língua do sujeito, mas não era um ataque epilético e a grande verdade é que eu também, além de não saber como ajudar, embora tivesse o instinto de amparar aquela pessoa; eu também temia. E não tinha a menor certeza do que estava acontecendo. Milésimos de segundo e mil coisas passam pela cabeça. Drogado? Palhaçada? Ataque epilético? Convulsão? Poderia ele ficar agressivo e ser violento? Nesses poucos segundos a vermilhidão do sujeito se desfez e era possível perceber que ele não se sufocava. Respirava. Foi encolhendo. Aquele homem enorme foi se encolhendo todo, parando de tremer. As mãos estavam machucadas do impacto no chão e possivelmente na barra de ferro do metrô, durante a queda. Dois homens jovens se aproximaram. Só eu e os dois homens nos mantínhamos próximos ao sujeito enorme que agora era um pequeno ser encolhido, babando muito. Não saberia dizer se ele se encolhia por vergonha ou se era parte do que sentia o que lhe fazia se embrulhar em si mesmo. Um dos rapazes me deu sua mochila, sem dizer uma só palavra, para que eu segurasse. Eu também nada disse. Os dois homens então conseguiram carregar e levantar o sujeito. As portas do metrô apitavam: outra estação. Saíram os três. Os rapazes o colocaram no chão do lado de fora do vagão e um funcionário do metrô já se aproximava. Aquele homem enorme continuava sem conseguir se erguer e babando. Piiiiiiiiiiii. Novo apito, as portas vão se fechar. Só então consegui pronunciar algo novamente: "moço, sua mochila". O rapaz a pegou e entrou no vagão. O outro também voltou para o vagão e o homem convalescente ficou ali fora, no chão da estação, com o funcionário do metrô. Ninguém disse nada. Ninguém sabia nada. As portas se fecharam e as vidas se seguiram, cada uma em sua direção. O vagão já não tinha espaços vazios novamente. Mas estava vazio de sons.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dois



Amor, encantamento e paixão: a intensidade de uma relação que, além de não ter explicação, não tem medidas. Tampouco podem expressar as palavras (coitadas) o que se sente no olhar ou em trocas delicadas.
Afetos e cuidados transformaram nossa doce rotina numa mistura de sonho com uma realidade repleta de ternura. Por mais que a desejasse, jamais poderia supor que tão intenso seria o nosso encontro. E ao caminharmos juntas, aprendendo uma com a outra, descobrimos que tudo pode ser ainda maior e muito mais belo! Sorrisos e lágrimas hão de nos unir por uma longa estrada cuja caminhada mal começamos - e já são tantas as histórias, recordações, emoções. Impossível registrar ou descrever.
Hoje é o dia pra comemorar e agradecer: Bruna, há dois anos eu amo você!

As memórias deliciosas da nossa convivência


Os primeiros passos
A primeira palavra
O primeiro sorriso
A primeira malcriação
O primeiro dodói
A primeira gargalhada
O primeiro grito
O último peito
A primeira dor
O brinquedo preferido
A primeira febre
O primeiro piscar de olhos
A primeira escolinha
O último cheirinho
A primeira meleca
Um barulinho à toa
O cobertor para o frio
A boneca preferida
A melhor amiguinha
A piscina querida
O bichinho encantador
O cocô e o xixi
As sonecas
Os abraços - ah, os abraços!... -
O primeiro beijinho
O último corte de cabelo
A primeira manha
E o famoso dengo
Todos os nossos momentos
Nossas mãos cruzadas no papel
O primeiro desenho
Os pés entrelaçados
A brincadeira na cama
Os sims e os muitos nãos
O medo
O choro
A oração
O silêncio
As fotos
As brincadeiras
A correria
As canções
As danças
As palminhas
E as gracinhas
O brilho nos olhos e o amor intenso
E tudo que ainda será escrito
e gravado em meu coração
Na minha alma
De nossos carinhos, de nosso convívio

sábado, 22 de maio de 2010

Mistério

Pra onde foi a delicadeza?
Onde está o que me encantava em você?
As palavras sutis, bem colocadas
Os gestos calmos, firmes, serenos
O galanteio
A romântica falsa timidez?
Onde foi parar a gentileza?

Onde se perderam as promessas feitas?
Quando nos perdemos das promessas feitas?
Onde nós perdemos as promessas feitas?