PARA ENTENDER ESTE POST É NECESSÁRIO LER O ANTERIOR, SOBRE "MOBILIZAÇÕES POLÍTICAS"
Duas constatações entristecedoras me vieram à mente após ter participado das reuniões que presenciei.
O debate, a iniciativa, a pulsação, a energia, a vontade política de mudar o mundo está nas cabeças (e nas mãos) de pessoas acima dos 40 anos. São poucos, raros, os jovens que participam.
Os jovens não estão envolvidos e não há interesses deles em se envolverem? Estas instituições estão interessadas nos jovens, que são o nosso futuro próximo? Jovens só se mobilizam e envolvem com o que diz respeito a consumo? (BBBs, inclusos) Ou só se organizam em torcidas - violentas, diga-se de passagem - organizadas? "A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes", como dizia uma banda de sucesso na minha época de adolescência?
Ok, é claro que no caso específico das duas instituições que se reuniram na semana passada, a média de idade era alta até porque a experiência profissional daquelas turmas levou-os a questionamentos e necessidades que os fizeram se mobilizar daquela forma. Então é natural que sejam pessoas experientes, com uma trajetória profissional mais longa, o que as torna um pouco mais velhas.
Mas ainda assim, é válido o meu questionamento: em torno de quê os jovens estão se engajando? Ou eu estou muito por fora do que a juventude vem aprontando, ou eles não estão pulsando com aquele desejo de mudar o mundo que costumava ser associado à pouca idade.
A outra triste constatação que fiz é que este tipo de engajamento político, ao menos na área cultural, inexiste no Rio de Janeiro. Não faço idéia de porquê, mas não é possível sentir uma mobilização organizada no setor. Estão todos apáticos, silenciosos, à espera - sentadinhos, bem acomodados - do resultado final das mudanças que estão sendo promovidas pelo MinC. Não existe uma conversa coletiva sobre o assunto.
Cadê os jovens? O que fazem?
Cadê os cariocas? Em quê estão ocupados?
Curioso e preocupante.
Pensamentos soltos + pitadas (ou palpitadas?) sobre cultura + poesias + punhado de histórias vividas ou não + contos e crônicas de uma ovelha negra bem colorida = salada bem temperada. Seja bem vindo e sirva-se à vontade!
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terça-feira, 2 de março de 2010
Mobilizações políticas
Semana passada vivi duas experiências muito interessantes de caráter político e, talvez, esteja participando - sem querer - de um momento histórico. Coisa que só poderei saber daqui a 15, 20 anos, ao poder constatar e analisar em que resultaram duas reuniões que tive a sorte de participar, ambas por acaso, por convites improvisados. (Seria mesmo o acaso me empurrando para estes cenários?)
Bom, concentremo-nos no que é de interesse comum:
1. reunião de empoderamento e ampliação da ANEC (Associação Nacional das Entidades Culturais Não Lucrativas), embora o objetivo da convocação para a reunião fosse específico e pontual, entendi que havia este objetivo maior na reunião. O tema do encontro era a apresentação e debate da nova proposta de lei de incentivo à cultura, com vistas a se fazer um movimento organizado para impedir sua aprovação.
2. reunião de criação e fundação da ALTERCOM (Associação Brasileira de Empresários e Empreendedores de Comunicação), cuja idéia me pareceru ter um caráter político mais amplo e democrático e onde a idéia é trabalhar a favor das mídias alternativas, entre outras coisas.
Não é possível saber a força e o poder que estas instituições poderão alcançar. Mas acho bem provável que ambas "vinguem". A tendência é que elas se firmem e afirmem interesses bem definidos.
Pode ser que uma delas, ou quem sabe até as duas, possam ajudar a mudar este país. Sem maniqueísmos nesta frase: para melhor ou para pior nunca será possível precisar e, tampouco, atuar para um só destes lados. Erros hão de acontecer no caminho e pode ser que algo que seja bom agora não o venha a ser daqui a alguns anos. Mas a intenção, é claro, é sempre a de trabalhar "para melhor". O inferno está cheio de boas intenções, já diz a expressão popular. O que quero dizer é que isso não garante nada: existem interesses específicos, bem definidos, pontuais, privados... Há muito em jogo.
Só que as duas instituições não me parecem terem vindo ao mundo para ficar no lugar comum. Tem cheiro de transformação no ar!
Que bom eu ter a sorte de testemunhar este momento.
Bom, concentremo-nos no que é de interesse comum:
1. reunião de empoderamento e ampliação da ANEC (Associação Nacional das Entidades Culturais Não Lucrativas), embora o objetivo da convocação para a reunião fosse específico e pontual, entendi que havia este objetivo maior na reunião. O tema do encontro era a apresentação e debate da nova proposta de lei de incentivo à cultura, com vistas a se fazer um movimento organizado para impedir sua aprovação.
2. reunião de criação e fundação da ALTERCOM (Associação Brasileira de Empresários e Empreendedores de Comunicação), cuja idéia me pareceru ter um caráter político mais amplo e democrático e onde a idéia é trabalhar a favor das mídias alternativas, entre outras coisas.
Não é possível saber a força e o poder que estas instituições poderão alcançar. Mas acho bem provável que ambas "vinguem". A tendência é que elas se firmem e afirmem interesses bem definidos.
Pode ser que uma delas, ou quem sabe até as duas, possam ajudar a mudar este país. Sem maniqueísmos nesta frase: para melhor ou para pior nunca será possível precisar e, tampouco, atuar para um só destes lados. Erros hão de acontecer no caminho e pode ser que algo que seja bom agora não o venha a ser daqui a alguns anos. Mas a intenção, é claro, é sempre a de trabalhar "para melhor". O inferno está cheio de boas intenções, já diz a expressão popular. O que quero dizer é que isso não garante nada: existem interesses específicos, bem definidos, pontuais, privados... Há muito em jogo.
Só que as duas instituições não me parecem terem vindo ao mundo para ficar no lugar comum. Tem cheiro de transformação no ar!
Que bom eu ter a sorte de testemunhar este momento.
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