"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"
Ouça o próprio poeta declamando seu poema em: http://www.memoriaviva.com.br/audio/jose.mp3
Pensamentos soltos + pitadas (ou palpitadas?) sobre cultura + poesias + punhado de histórias vividas ou não + contos e crônicas de uma ovelha negra bem colorida = salada bem temperada. Seja bem vindo e sirva-se à vontade!
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Tua presença na cama
Passo horas a te olhar
Encantamento
Admiro seus olhos fechados
Beijo suas mãos estendidas
Adoro sentir sua pele
Me enrosco em você
Mas não durmo
Quero ficar a te olhar
Admirar sua respiração
Olhar pra sua boca
Desejar te ter assim para sempre
Ficar ali e deixar o sempre acontecer
Esta eternidade que é um momento
Feliz
Este momento fugaz que é eterno
E assim ter você só pra mim
Por toda uma vida
Que são só alguns minutos ali
A te olhar, apaixonada
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